• Danyllo Andrade

O significado tecnológico à luz do Catecismo Maior de Westminster

Atualizado: 13 de Jul de 2020

A todo momento que um ser humano está presente na realidade, funcionar e agir, comer e beber, fazer e fabricar coisas, formular um plano industrial ou projetar máquinas, essas ações não apenas interpretam o que já está lá — a coerência de sentido no nosso entorno — mas elas estão de modo contínuo expandindo adicionalmente o significado que está lá. Desse modo, a atividade de seres humanos é uma atividade que abre o significado. Assim, ela difere da reação “natural” ou “instintiva”. Por “reação”, entendemos ação sem intenção”. [1]

Diferente da reação, a ação não é uma resposta instintiva e sem leitura prévia da realidade, mas uma atitude intencional, imbuída de um propósito específico. Ao fixar um prego na parede para pendurar um quadro atribui-se um significado para o prego, que é diferente do significado quando ele é usado para segurar as madeiras de um guarda-roupa. O prego e o martelo existia previamente, mas a ação humana abriu um novo significado para o prego. Neste sentido, a pessoa que age (o ator) abre o significado.

Os homens são eticamente responsáveis pelas tecnologias produzidas. Os cristãos não devem se relacionar com a tecnologia rejeitando-a indiscriminadamente, ou aceitando-a acriticamente, muito menos considerando-a neutra (“a maldade ou a bondade reside naquele que a usa, não na tecnologia em si”); mas cuidando da cidade-jardim, da criação, cuja produção tecnológica é vasta, permitida e requerida, se atentando para respeitar os limites colocados pelo criador na criação.

Mas, como falar sobre significado sem falar do criador? A Escritura constantemente atribui significado à realidade através da ação humana, ordenada por Deus. Ao olhar para a Arca de Noé, para os utensílios do templo e para o templo de Salomão vemos um Deus soberano que olha para criação e dá significado à realidade. O homem, em obediência ao criador, age e dá o significado que é Dele.

Na Escritura se encontram os maiores significados da vida humana. A árvore da vida representa a experiência da vida com Deus; o cuidado e a preservação vista no arco-íris; a circuncisão que simboliza a promessa de que Deus será o Deus da descendência de Abraão; o amor sendo expresso nas leis do sinai e no shabbat do Senhor; o óleo da unção que aponta para a autoridade dada por Deus para governar o Seu povo e guiá-lo nos Seus caminhos; e, por fim, a Palavra de Deus e os Sacramentos.

A pergunta 35 do Catecismo Maior de Westminster diz: “Como é o pacto da graça administrado no Novo Testamento?” Resposta: “No Novo Testamento, quando Cristo, a substância, foi manifestado, o mesmo pacto da graça foi e continua a ser administrado na pregação da palavra na celebração dos sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor; e assim a graça e a salvação são manifestadas em maior plenitude, evidência e eficácia a todas as nações.” Deus fornece substância na Sua Palavra, no Batismo e na Ceia do Senhor que o homem nunca encontrará no celular, no robô, num avançado sistema de defesa ou na ciência. O significado da vida humana está em Deus.

Como diz Spier:

Deus é o doador de todo significado, mas Ele mesmo não é significado. Ele está elevado acima de todo significado à medida que Ele mesmo é autossuficiente. Deus existe de Si mesmo e para Si mesmo; apenas Ele é Supremo. Tudo o que é significado encontra Nele seu destino, seu fim último ou seu alvo.”

Deus deu significado à criação e continua a dar todos os dias pela obra da sua providência.



[1] VERKERK, Maarten J, HOOGLAND, Jan, STOEP, Jan van der, VRIES, Marc J. de. Filosofia da Tecnologia. Editora Ultimato: Minas Gerais, 2018. p. 28. p. 54–55.

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