• Danyllo Andrade

O silêncio ensurdecedor das autoridades pernambucanas sobre as atividades religiosas

Em maio, o governador Paulo Câmara decidiu implementar o lockdown nas cinco cidades mais afetadas pela pandemia do coronavírus em Pernambuco, a saber, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, São Lourenço da Mata e Camaragibe. Compreendemos e nosso ofício encaminhado ao Governador o cumprimentava pela decisão e requeria a mudança do ofício para que considerasse as atividades de transmissão e gravação das atividades religiosas. Juntamente com outras associações, como a ANAJURE, e através de deputados, encaminhamos nosso pleito ao Governador, que prontamente o atendeu.


Vale salientar ainda que mesmo antes da suspensão devido à quarentena, diversas igrejas, compreendendo o momento e com o intuito de preservar a saúde e segurança de seus membros, funcionários, líderes religiosos e demais membros da sociedade, suspenderam boa parte de suas atividades, utilizando a internet como forma de cuidar das pessoas em meio a um período de tamanha incerteza, luto e crise. E, diversas entidades religiosas, mantiveram suas atividades de auxílio aos necessitados e projetos sociais mesmo em meio à pandemia.


Com o fim do lockdown, a expectativa era que o governador anunciasse um plano que permitisse o reinício do funcionamento das atividades de forma segura e gradual, salvaguardando peculiaridades setoriais. No dia seguinte, veio o Plano de Retomada Econômica, mas nenhuma linha sobre atividades religiosas. Nenhuma!


Indivíduos de diversas religiões manifestaram seu desconforto com esse fato. Dentro da igreja protestante, à qual pertencemos, não foi diferente, notando que pela segunda vez o governo do Estado negligencia as atividades religiosas. Na quinta-feira desta mesma semana, dia 4, encaminhamos novo ofício ao governo, através do gabinete do Deputado Romero Sales Filho. Pedimos que o governo garanta a liberdade de cada religião decidir, mediante retomada cautelosa e gradual, a volta de suas atividades presenciais, com todas as devidas precauções. Estivemos também em contato com diversos deputados, como Deputado André Ferreira e Cleiton Collins, e tivemos nosso pleito encaminhado ao governador.


O que ensurdece é o silêncio do Governador Paulo Câmara quanto às atividades religiosas, que ecoa nas decisões do Prefeito de Recife Geraldo Julio. Nesta quinta, 11 de junho, o prefeito apresentou o Plano de Convivência com a Pandemia, coordenado pela Prefeitura em parceria com o Porto Digital. Novamente, nenhuma linha sobre as atividades religiosas. Ressalte-se que o argumento que os planos são focados apenas em atividades econômicas, porque ambos tratam de setores que não são necessariamente para desempenho de atividades de cunho econômico. Também não seria o caso de excepcionalidade: diversos municípios circunvizinhos já permitiram a reabertura, como Paulista e Abreu e Lima. Há mais de um mês é noticiado que o plano para as igrejas será apresentado, e nada.


O que precisa ficar claro ao Excelentíssimo Senhor Governador Paulo Câmara é que não desejamos dízimos e ofertas. Queremos cuidar, trazer o alento que apenas a religião traz à alma humana. Sabemos que vivemos tempos que exigem cuidados, e certamente não serão negligenciados por nós. Mas a comunhão presencial, ainda que sem toque físico, é insubstituível. Nos reinventamos nesse tempo de pandemia. Não negligenciamos o cuidado com os necessitados. Tudo o que requeremos, governador, é a liberdade para exercer nosso direito constitucional de decidir praticar nossa religião, ainda que com toda cautela e protocolos.


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