• Danyllo Andrade

A ciência em tempos de crise em uma cosmovisão reformada

As crises humanas carecem de resposta, sobretudo as catastróficas. A ciência tenta dar resposta a todas elas, mas não consegue — e esta é uma feliz marca do mundo contemporâneo. Afinal de contas, a ciência não é onipotente e tempos de crise evidenciam a sua insuficiência. Uma forte característica do cientificismo moderno é a suposta onipotência da ciência e sua autonomia religiosa. Nas paróquias educacionais do Brasil, o clero docente prega o evangelho da ciência, cujo conhecimento é produzido através do irrefutável método científico que trará a redenção e o progresso para o mundo. Esta é a demonstração da cegueira espiritual e do cativeiro do coração. Desejo mostrar-lhe três limites da ciência, embora seja possível enumerar tantos outros.


Limite ontológico: creatio


O limite ontológico diz respeito aos atos da criação. A natureza foi criada com limites; alguns deles não conseguimos ultrapassar, ao passo que outros não devemos ultrapassar. O homem e a natureza não são onipotentes. A mente humana, por exemplo, não tem a capacidade de conhecer a criação em toda sua profundidade e extensão como o Criador. Os raciocínios humanos não são autônomos, são sujeitos a interpretações, a alterações e a compromissos de fé. Existem perguntas sobre a existência humana que não são e nunca serão respondidas pelo homem, tampouco pela ciência. A natureza, por sua vez, possui limites de espécies, por exemplo. Manipulações de DNA de animais e plantas são perigosas e demonstram o desejo humano subversivo de ser o “senhor e dono” da criação. Deve-se dominar a terra respeitando os limites estruturais que o Criador estabeleceu na criação.


Limite norteador: creatura


A direção da criação também é um limite. A creatura (realidade) encontra seu sentido na creatio (atos da criação), de tal forma que Deus, como criador, regula a direção da realidade. A queda é a tentativa do homem de regular e nortear a realidade de acordo com seus desejos, de rebelar-se contra a orientação definida pelo criador. O homem possui o sensus divinitatis, que deveria conduzir-nos em direção a Deus, que é o seu sentido e a sua origem. A natureza, da mesma forma, deve ser investigada com o devido respeito aos seus limites. Deve haver um limite para a produção de lixo eletrônico, de poluição, de tecnologias, de gêneros alimentícios em larga escala que comprometem o solo ou a alimentação humana, por exemplo. O grande problema é que o cientificismo busca na razão e na capacidade humana a normatização da ciência.


Limite metodológico: reducionismo


A metodologia científica também é limitada. Ela depende de uma alta abstração da realidade. O método científico necessita desconsiderar variáveis paralelas à da tese abordada na pesquisa, e, por isso, o resultado é limitado. Quando o método científico é considerado suficiente para obter o conhecimento de toda a verdade sobre a realidade, a experiência ordinária é rompida e a realidade é vista de forma enganosa. Ele limita-se a um aspecto da realidade, por isso, a pressuposição de que a ciência consegue responder todas as perguntas é ardilosa. Para fugir do reducionismo é necessário que os resultados científicos sejam considerados juntamente com a experiência ordinária da realidade.


Cosmovisão reformada e os limites


O cientificismo moderno apresenta-se como um sistema de crença que transforma a criatura no criador. Ele não leva em consideração a queda, tampouco a criação e a redenção. As Escrituras, todavia, nos apresentam a correta visão da realidade.


É preciso reconhecer que a ciência é regulada pela fé. A história de que “contra fatos não há argumentos” não se sustenta. Afinal, os argumentos dependem de como se olha para os fatos, mas eles são passíveis de interpretação. Seus compromissos de fé definem como os fatos devem ser interpretados. Convém ser um cientista que investigue a criação rigorosamente, inclusive respeitando os limites. Convém fazer ciência para a glória de Deus.


É preciso denunciar as mentiras do homem natural. O Deus das Escrituras é onipotente e dono de toda a sabedoria, e Ele nos diz: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Co 10.4-5).


É preciso olhar para aquele que não está sujeito a contingenciamentos, ao tempo e ao espaço, que não pode ser medido, sem o qual a criação não teria sentido e nem seria sustentada. Sem Ele, nada existiria. Cientificamente, pensemos os pensamentos de Cristo. Sigamos o mestre. Como disse Egbert Schuurman: “No fim das contas o conhecimento científico é abstrato, condicionado, limitado, relativo, provisório e aberto.” A crise revela o limite da ciência e a glória do Criador.

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